OS PRETENSOS "IRMÃOS DE JESUS"


 
OS PRETENSOS "IRMÃOS DE JESUS"

Bíblicamente, não existe irmãos consanguíneos de Jesus, isto é, outros filhos de Maria e de José além de Jesus, uma vez que os relatos bíblicos não o demonstram. O que existe, de fato, são interpretações protestantes para algumas passagens dos Evangelhos (Cf. Mt 12, 46-47; Mc 3, 31-32; Lc 8, 19-20; Jo 7, 1-10), querendo, com isso, contestar a doutrina católica da virgindade perpétua de Maria; mas essas interpretações são facilmente refutadas pelos próprios relatos bíblicos e pela Tradição da Igreja.

Ora, o uso de interpretações subjetivas contraria o princípio da Verdade Divina; é isso o que afirma São Pedro em uma de suas cartas: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus”. (2Ped 1,20-21). Logo, só o Espírito Santo dar o sentido verdadeiro ao que inspirou e isso Ele o faz por meio da Igreja que Ele mesmo conduz, pois, a Igreja é aquela que guarda o Depósito da Fé verdadeira que nos leva a perseverar até o fim na graça da salvação (Cf. Mt 24,13).

Quem são os pretensos “irmãos de Jesus”? (*)

Em diversos lugares, os Evangelhos falam desses “irmãos”. São Marcos e São Lucas referem que “estando Jesus a falar, disse-lhe alguém: eis que estão lá fora tua mãe e teus irmãos que querem te ver" (Cf. Mt 12, 46-47; Mc 3, 31-32; Lc 8, 19-20). São João, por sua vez, também fala de tais “irmãos” (Cf. Jo 7, 1-10).

Ora, essa suposta objeção protestante (“Maria teve outros filhos”) revela apenas a tamanha ignorância da Bíblia que dizem conhecer, mas na verdade não conhecem porque a interpretam ambiguamente quando a leem com os olhos da desobediência, vejamos por que. As línguas hebraica e aramaica não possuem palavras que traduzam os termos “primo” ou “prima” comum em outros idiomas e também no nosso, por isso, servem-se das palavras “irmão”, “irmã”. A palavra hebraica “ha”, e a aramaica “aha”, são empregadas para designar “'irmãos” ou “irmãs” do mesmo pai, não da mesma mãe (Cf. Gn 37, 12-17; 42,5-8; 43, 5; 49, 8); sobrinhos, primos irmãos (Cf. 1 Cro 23, 21-22), e primos segundos (Cf. Lv 10, 4), e até “parentes” em geral (Cf. Jó 19, 13-14; 42, 11). Logo, vemos que essas passagens demonstram, inequivocamente, que a palavra “irmão” era uma expressão genérica, geral, muito usada naquele tempo e naquela cultura.

No Novo Testamento, a expressão, “irmãos de Jesus”, era usada com o mesmo sentido semítico do Antigo Testamento, pois são da mesma cultura e mesma língua. Desse modo, os “irmãos de Jesus” não eram filhos de Maria e José. Constatemos as evidências: "Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito”. (Mc 6,3).


Ora, esses supostos “irmãos de Jesus” indicados no Evangelho de São Marcos, na verdade, conforme afirma São Lucas, são filhos de Alfeu Cleofas: “Chamou Tiago, filho de Alfeu... e Judas, irmão de Tiago" (Lc 6, 15-16). Quanto ao outro pretenso irmão de Jesus chamado “José”, São Mateus diz que é irmão de Tiago: "Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu." (Mt 27, 56). Essa Maria, mãe de Tiago e José, não é a esposa de São José, mas esposa de Alfeu Cleofas, citada acima por São Lucas; ela era também a irmã de Nossa Senhora, como se lê no Evangelho de São João: "Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena". (Jo 19,25). Quanto a Simão, é também irmão dos outros três, Tiago, José e Judas, filhos de Maria e Alfeu Cleofas. Logo, “os pretensos irmãos de Jesus” são verdadeiramente irmãos entre si, porém, filhos de Maria e Alfeu Cleofas e não de Maria Mãe de Jesus.

Ainda outras evidências que derrubam a objeção protestante: Por que os evangelhos nunca chamam os “irmãos de Jesus” de filhos de Maria ou de José, como o fazem em relação à Jesus? (Cf. Mt 13,55a) E como, durante toda a vida da Sagrada Família, o número de seus membros é sempre três? A fuga para o Egito e volta para Nazaré (Cf. Mt 2,13-23); a perca e o encontro do menino Jesus no templo (Cf. Lc 2,41-52).

Mais uma outra evidência, se Nossa Senhora tivesse outros filhos, ela não teria ficado aos cuidados de São João Evangelista, que não era da família, mas com seu filho mais velho, segundo ordenava a Lei de Moisés. Vejamos o que diz São João: “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa”. (Jo 19,26-27).

Desse modo, fica provado que a objeção protestante não passa de um equívoco interpretativo subjetivista e nada mais.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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