A brevidade da soberba



Ao observar a vida, não tem como não pensar sobre a morte. Diante de tantas histórias de pessoas que se foram de maneira trágica ou simplesmente inesperadas, fica um questionamento intrigante: porque tantos vivem como se não fossem morrer?

Encontramos tantos homens que vivem de uma maneira tão auto-independente, que passam a impressão de que são imortais. Refiro-me aos soberbos, aos arrogantes e aos que se acham superiores aos demais. Essas características destruidoras do ser humano, somente o conduzem para uma visão limitada e alienante da vida. Se existe a possibilidade do homem se superar sempre mais em todos os aspectos, existe também a fragilidade, que o cercará até o último suspiro de sua existência.

Ao mesmo tempo que somos capazes de alçar os mais altos vôos em todas as áreas do conhecimento, da tecnologia, do desenvolvimento, da espiritualidade, da produção e etc., somos fadados a uma pequenez impressionante diante de tudo que existe neste mundo. A princípio, basta recordar que somos formados por uma matéria que facilmente é corrompida, até mesmo por seres milhões de vezes menores que nós mesmos! Tanto a perfeição do ser humano quanto sua fragilidade deveria ser, no mínimo, um ponto de reflexão, aonde todos nós concluíssemos que não somos muita coisa! Somente pó. Tudo passa...

Porque então tanta arrogância e soberba em nosso meio? Será que desprezamos toda essa realidade? Não tem sentido querermos ser maiores ou melhores do que os outros, baseados em um ou outro aspecto da vida. A qualquer momento a morte visita a todos e tudo chega ao seu fim. O salmista, olhando a fragilidade humana, já faz um questionamento similar quando pergunta: “Que é o homem, Senhor, para cuidardes dele?” (Sl 143, 3-4).

Com toda a certeza a morte não encerra nosso caminho, mas toda essa reflexão refere-se ao nosso tempo aqui nesse estado corporal. Também não tenho a intenção de criar um ‘estado de medo’, mas relembrar o que somos e tentar viver de forma mais harmoniosa consigo mesmo, com o outro, com o mundo e com Deus.

A soberba é somente uma grande armadilha que aprisiona o homem no seu mundo. A Sagrada Escritura já nos alerta o grande perigo desse pecado. Diz São Paulo que “Deus resiste aos soberbos” (1 Pd 5,5). Portanto, para o homem de Deus, essa é uma atitude que jamais deveria habitar seu coração. Aliás, para quem verdadeiramente teve um encontro com Jesus Cristo sabe muito bem que a soberba não tem vez em sua vida, e que ela é totalmente contrária ao que se aprende do Senhor.

O cristão que preza pelas palavras e atitudes de Nosso Senhor Jesus Cristo, logo perceberá que mudar de mentalidade e comportamento é uma exigência urgente em sua vida, e querer ser maior do que o outro não é a melhor opção que sua alma pode fazer.

Todo nosso esforço deve ser para reconhecer que não somos nada e por isso devemos nos apegar ao TUDO, e com Ele olhar a vida com mais humildade. Os discípulos tiveram que aprender tal lição durante o tempo que estavam com o Senhor. Certa vez discutiam para ver quem seria o maior e nosso mestre logo tratou de mostrar que essa atitude não cabe em seu Reino (Mc 9, 33-35). Sendo assim, fiquemos atentos a essa exortação. Empenhemo-nos para eliminar toda raiz da soberba e arrogância dos nossos corações.


Não tenhamos dúvida da grandeza com que nos fez o Deus criador. Quando criou o homem Ele viu que era “muito bom” (Gn 1, 31). Fomos criados à sua imagem e semelhança, porém criaturas, e por isso mesmo somos finitos e nada poderá justificar a soberba diante do outro.

Nosso tempo é breve e não tem sentido gasta-lo tentando superar os outros através de uma disputa doentia que não levará a lugar nenhum. Antes, vivamos como iguais e filhos do mesmo Senhor, que insistentemente nos convida a sermos simples como uma criança.

A qualquer momento estaremos de partida, e o que mais importa aqui nessa terra, é o quanto soubemos amar a Deus acima de tudo e o próximo como a nós mesmos. Tudo passa... tudo passará.

Frei Cristiano Freitas, OFMConv.


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