Acusações de feitiçaria a crianças estão a surgir com frequência na África.



Acusações de feitiçaria a crianças estão a surgir com frequência em África. O fenómeno irrompeu na RD Congo e alastrou-se a Angola. Às crianças são atribuídos poderes causadores de desgraças. São crenças que trazem consequências desastrosas. Em regiões da RD Congo e Angola, numerosas crianças são agora acusadas de bruxaria e sofrem abusos e abandono. Defensores dos direitos das crianças estimam que milhares de crianças tenham sido acusadas de feitiçaria e vivam nas ruas de Kinshasa, depois de terem sido expulsas das suas casas e abandonadas pelas famílias, uma decisão muitas vezes motivada pelo facto de assim se tornar desnecessário continuar a alimentá-las ou cuidar delas. Em Angola, o fenómeno das crianças feiticeiras verifica-se entre o grupo étnico Bakongo, havendo centenas de casos reportados, principalmente nas províncias no Norte do país, Uíge e Zaire, bem como nos bairros da capital, Luanda. Comparando o fenómeno, observa-se a mesma configuração igrejas pentecostais e rearticulação de parentesco. A acusação de feitiçaria a crianças é mais uma das novas formas de exclusão e violência sobre a infância, como a pedofilia, abusos sexuais, tráfico de órgãos e crianças-soldados. Para a antropóloga social brasileira Luena Pereira, da Unicamp, universidade estadual de Campinas, as acusações de feitiçaria a crianças aparecem como resultado da desestruturação familiar ocasionada pela guerra.

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